domingo, 3 de agosto de 2008

Carta ao governador do Estado.


Prezado senhor José Serra,


Gostaria de projetar aqui meus protestos quanto às vossas atitudes, em cumplicidade com a senhora Secretária da Educação Maria Helena Guimarães de Castro, quanto à situação do ensino público estadual. Com certeza esses protestos não são apenas meus, mas sim de todos que estão ligados direta ou indiretamente ao setor da educação.
Nesta última semana presenciamos paralisações e manifestações de educadores de todo Estado para solicitar melhoras nas condições de trabalho, que há muito tempo já estão precárias em São Paulo. Não há como tirar a razão desses professores manifestantes. Me responda então, se o senhor digníssimo governador tem uma memória muito boa, quando foi o último aumento salarial “real” que toda a classe de educadores, funcionários e diretores de escola teve? Difícil essa pergunta? Bom, senhor José Serra, para te ajudar, se não me falha a memória, pois já faz muito tempo que aconteceu, acredito que o último reajuste considerável foi no governo Montoro.
Poderíamos elencar em outro tópico de reclamações a atuação da sua “incrível” Secretária da Educação (Sr. Governador, esse incrível foi em tom irônico). Analisando as medidas criadas por ela, percebemos que o senhor deve ter procurado muito bem para conseguir encontrar uma pessoa dessas para ocupar um cargo tão importante dentro do governo. Era inadmissível que uma pessoa em sã consciência pudesse retirar todos os professores coordenadores de seus postos de trabalho justamente no período de planejamento para o ano letivo e, mesmo sendo inadmissível, ela fez isso.
Outro ponto interessante que podemos colocar é a ridícula lei, aprovada há pouco tempo, que prejudica professores recém efetivados no Estado, quase que impossibilitando os mesmos de conseguirem transferências e remoções de uma escola para outra. Sinceramente, isso é um ato insano da parte governamental. “Estimado” senhor governador, coloque-se no lugar dessas pessoas, que se efetivam no Estado para conseguir certa estabilidade e, na maioria das vezes, acabam tendo que deixar suas cidades e suas famílias para exercer seu novo cargo em localidades distantes e que, durante esse tempo longe de casa, ficam rezando para que sejam aprovados os concursos de remoção e transferência. A aprovação desta lei é um ato completamente insano, que fere os direitos constitucionais do cidadão de ir e vir. Em contrapartida chega a ser engraçado as declarações de sua secretária da educação, dizendo que as transferências atrapalham a continuidade das propostas pedagógicas e a qualidade de ensino.
Faz-me rir, a educação estadual está doente há muito tempo, e o quem será o grande culpado dessa situação? Os educadores, funcionários, diretores de escola com seu baixo reconhecimento profissional por parte do Estado? Não senhor Serra, os grandes culpados por tudo que presenciamos hoje na Educação são vocês, governantes despreocupados com o futuro de nossa nação, afinal essas crianças que hoje ocupam um banco escolar, amanhã serão os futuros governantes, educadores e cidadãos do Brasil, porém, do jeito que a Educação Estadual caminha, acredito que nenhum deles irá querer ser um professor amanhã.


Atenciosamente,
Todos nós, cidadãos paulistas.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 24/06/2008

Muito prazer, Barack Obama.


Após uma longa disputa, há alguns dias foi definido o candidato democrata para as eleições presidenciais norte americanas, Obama foi o vencedor, após desistência da ex-primeira dama Hilary Clinton e disputará o poder da maior potência mundial com o candidato republicano John McCain.
Barack Hussein Obama Jr. 46 anos, é advogado, nasceu em Honolulu, no Havaí, filho de um economista queniano e muçulmano com uma americana. Atualmente, Obama é senador do Estado de Illinois.
O carisma e a popularidade são seus pontos fortes na corrida presidencial, dono de uma personalidade marcante, com poder de auto-controle muito grande e uma postura modesta ao falar com as pessoas, ganhou a confiança e de muitas pessoas, principalmente entre os jovens americanos. Sua simplicidade cativante e sua forma irreverente em certos momentos o tornam um dos políticos mais humanísticos dos últimos tempos. Por outro lado, Obama enfrentará um grande problema ao lançar sua candidatura: o preconceito racial, que ainda é fator relevante e de muita discussão nas terras do “Tio Sam”. Eleito, se tornará o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, sem contar que, se isso acontecer, ainda quebrará um certo ‘monopólio’ do partido republicano, que há algum tempo vem governando sucessivamente os Estados Unidos.
Barack Obama tem uma aceitação e confiança muito grande em todas as partes do mundo, na Europa, por exemplo, após pesquisas realizadas, detêm a grande maioria da preferência popular, girando em média de 80% das opiniões. Fato que se repete no Brasil, porém com números pouco menos expressivos, com cerca de 58% da preferência e confiança da população. Essas pesquisas realizadas refletem-se com base nas promessas de campanha que o candidato vem pregando em seus discursos, onde planos de renovação política e econômica são citados e estratégias de pacificação com inimigos históricos como Irã, Iraque e Cuba são abordadas.
A situação de Obama, em relação à opinião mundial, é simples de se analisar: ele é tido como uma esperança de renovação, pois, com seu caráter humanitário e simpático conseguiu cativar a opinião popular e, após um governo ridículo, manipulador e totalmente sem sucesso de George W. Bush, a comunidade mundial espera mudanças no novo governo americano, tendo como conseqüência esperada uma transformação em todo o mundo.
Na realidade, Obama enfrentará seus maiores obstáculos dentro de seu país, onde o preconceito e o conservadorismo serão pontos cruciais para determinar o sucesso de sua candidatura. Sua segurança pessoal é outro fator relevante, onde riscos referentes a possibilidades de ataques contra o candidato não podem ser descartados, afinal, atentados marcantes contra líderes revolucionários fazem parte da história recente do país. Podemos citar como exemplo o assassinato de John Kennedy, presidente eleito em 1960 e Martin Luther King, pastor e líder negro que pregava a igualdade racial na década de 60. É interessante citar ainda que o sucessor de Bush poderá enfrentar uma crise econômica interna, além da pressão da população.Esse é um pequeno parâmetro que pode ser traçado sobre um dos mais populares políticos das últimas décadas em todo mundo. Muitas esperanças de transformações estão sendo depositadas em Obama, se eleito, poderá se tornar o grande presidente americano de todos os tempos ou então a grande decepção mundial.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 17/06/2008

Um preconceito verde e amarelo.

Na última semana, um fato ocorrido fez com que uma polêmica fosse levantada mais uma vez: o preconceito homossexual no Brasil.
Há aproximadamente 2 semanas, os sargentos do exército Laci Marinho de Araújo e Fernando Alcântara de Figueiredo declararam na mídia que são homossexuais e que vivem junto há mais de dez anos. A confissão gerou uma situação de desconforto para as Forças Armadas Brasileiras.
Há algum tempo o casal sofre uma certa ‘perseguição’ de seus comandantes. Em 2007, Laci se afastou do exército por seis meses, devido a problemas de saúde e apresentou o laudo clínico expedido por um neurologista, porém o documento não foi aceito pela junta militar e o sargento foi condenado pelo crime de deserção.
Na última terça-feira, dia 03 de junho, por volta das 23h30min, após entrevista ao programa Super Pop da RedeTV, a Polícia do Exército cercou as dependências da emissora e prendeu o sargento Laci.
Dentro da história mundial, existem casos onde grandes exércitos foram liderados por homossexuais e muitos deles foram considerados quase invencíveis. Dentre eles estão os gregos Alcebíades e Alexandre, o Grande, o líder Romano Júlio César e o conselheiro nazista alemão Ernst Röhm. O último citado fora morto sob acusação de traição e marcou o início da ‘caçada’ aos homossexuais.
É interessante observar as contradições que vivemos em nosso país, um país onde as autoridades pregam a igualdade e a liberdade, num país onde (dizem) o preconceito não existe, nos deparamos com um crime de deserção, sem um motivo real, no tão imponente exército brasileiro.
E por qual motivo foi decretado esse crime? Por ausência de um laudo médico? Ou será que o crime de deserção foi apenas um pretexto para a prisão de um integrante do batalhão que não teve vergonha nem medo de expor sua opção sexual?
Pode-se perceber claramente que há um grande preconceito quanto a esse caso, analisando os fatos, podemos também concluir que, para os oficiais e comandantes, a presença de dois homossexuais assumidos publicamente e nacionalmente dentro de uma corporação do exército poderia deturpar a imagem masculinizada que as Forças Armadas possuem.
Dentro de nosso país, não somente no exército, o preconceito ainda é um fator relevante na sociedade. É possível encontrarmos casos de preconceito sexual, racial, ideológico, religioso, entre outros. Seria necessário uma mudança de pensamentos e valores, para que o Brasil fosse considerado um país realmente igualitário. É evidente, porém, que, se compararmos com tempos passados, já houveram mudanças e evoluções nesse processo de extinção de preconceitos, mas para ele se concretizar ainda é necessário percorrer um longo caminho.
Estamos vivendo no século 21, inovações tecnológicas e a evolução do ser humano surpreendem, mas um problema de séculos atrás ainda não foi superado, infelizmente, esse é o ser humano.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 10/06/2008

A corrida pelo poder.

Os Estados Unidos vivem um ano de expectativas políticas, afinal marcará a saída de George W. Bush do poder e elegerá seu ‘sucessor’. Há muito tempo uma eleição não era tão divulgada e tão badalada como esta, que acontecerá em 2008. Do lado Republicano, um candidato já definido há muito tempo, John McCain, enquanto o Partido Democrata é marcado por uma disputa acirrada entre Hillary Clinton e Barack Obama.
Existem várias razões para a forte presença da mídia em um ‘evento’ como este, entre os quais, a corrida pelo poder do país mais influenciador do mundo. Porém, o fator de maior relevância nas divulgações seria a inédita possibilidade de uma pessoa do sexo feminino governar o maior país do mundo, ou ainda, um país tão preconceituoso quanto os EUA, terem um presidente negro pela primeira vez na história. Mas é importante lembrar que para tais fatos acontecerem, é necessário que o candidato escolhido, após a vitória interna em seu partido, vença também John McCain nas eleições oficiais.
Hillary Clinton foi a primeira dama dos EUA entre 1993 e 2001, no mandato de Bill Clinton. Conhecida na mídia há algum tempo por encabeçar projetos de reforma na saúde americana, Hillary, hoje senadora do Estado de Nova Iorque e tem a seu favor a possibilidade inédita de ser a primeira mulher a governar a maior potência mundial.
Seu concorrente à candidatura Democrata, Barack Obama, nasceu no Havaí e tem ascendência africana, pois seu pai nasceu no Quênia, atualmente é senador do Estado de Illinois. Obama tem a seu favor o carisma, principalmente entre os jovens americanos. Se eleito, se tornará o primeiro presidente negro da história americana, em um país onde o preconceito racial é fator relevante na sociedade, e também se torna fator de maior dificuldade em sua candidatura.
É possível fazer uma análise interessante sobre as prováveis opções do governo americano para os próximos anos.
Na primeira hipótese, a vitória de McCain, poderá ser uma simples continuidade do trabalho mal feito de Bush, além dos dois políticos serem do mesmo partido, possuem ideais parecidos. A vitória do candidato Republicano não mudará muito a realidade de hoje.
A segunda opção seria a vitória de Hillary, que provavelmente teria algumas influências do governo Clinton em seu mandato. Algumas mudanças econômicas e políticas seriam implantadas e talvez a Guerra no Iraque fosse finalmente terminada.
E, por fim, analisando a possível vitória de Obama, o candidato mais humanitário de todos os tempos nas eleições presidenciais americana, é possível que enfrente, dentro de seu país, dificuldades quanto à sua cor, porém poderá ser o único que trará mudanças mais radicais dentro do país e talvez no mundo todo. Através de seu carisma poderiia até mudar a visão estereotipada que todo o mundo tem dos norte-americanos.
É evidente que ainda muitas coisas acontecerão na corrida política dos EUA, porém há um elemento que não se pode deixar passar batido: George Bush deixará a economia americana em crise, por conta de uma má administração e um envolvimento, que gastou milhões, a troco de uma Guerra particular com Saddam Hussein. Seu sucessor terá que elaborar planos inteligentes para alavancar a economia novamente. Enquanto não há uma definição, acompanharemos “de perto” o desenvolvimento da corrida pelo poder.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 03/06/2008

Todos querem um lugar ao $ol.

Estamos em 2008, ano de Olimpíadas, ano bissexto e ano de eleições municipais em todo o país. Em um ano cheio de atividades diversas, é interessante observar e analisar os “hábitos e costumes” de candidatos às vésperas de mais uma corrida pelo poder.
Domingo, dia 25 de maio, data da 12ª Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) do Estado de São Paulo e as presenças de Gilberto Kassab e Marta Suplicy estão mais que confirmadas no evento, “participando e apoiando” as classes mais discriminadas em nossa sociedade hoje.
Isto seria um ato sincero de apoio ou mera estratégia em suas campanhas políticas?
Com certeza, nessa reta de fortalecimento de candidaturas, a presença dos dois candidatos mais fortes à Prefeitura de São Paulo no evento GLBT está totalmente relacionado com as estratégias de publicidade de suas campanhas eleitorais, afinal, uma grande parcela da população paulistana, que votará nas eleições de outubro, está na classe GLBT.
É interessante analisar o comportamento dos candidatos e pré-candidatos em meses antecedentes à eleição, não só em cidades grandes, mas também nas pequenas, a sede de aparecer em um evento público é muito grande, a transmissão de simpatia, amizade e compromisso com a população são evidentes nas atitudes dos políticos por onde eles passem. E tudo isso por um único propósito: a conquista da confiança e posteriormente dos votos populares. Vale tudo para conseguir alcançar suas metas.
Além do comportamento dos candidatos, é interessante também analisar a quantidade de dinheiro que passa por trás de uma campanha política. São gastos dinheiro com comerciais em TV, “santinhos”, pintura em muros, além da famosa compra de votos, que mesmo contra as leis ainda existe em muitos lugares. Devido à legislação, os candidatos perderam uma importante ferramenta eleitoral, os famosos “showmícios” que conseguia atrair um grande número de pessoas para ouvirem suas propostas de campanha.
O período pós-eleitoral é o que chama mais atenção, chegando até a ser engraçado e irônico, pois as figuras públicas e humanitárias dos políticos parecem desaparecer, como num passe de mágicas. Exceto alguns casos, é quase impossível visualizar algum deles nas ruas ou em pequenos eventos após as eleições.
Isso, infelizmente é a política, que não é apenas um privilégio brasileiro, mas sim uma realidade que acontece em várias partes do mundo, onde nossos representantes procuram conquistar toda a confiança de uma população, para ficar em uma posição privilegiada social e financeiramente. Em um mundo onde o desemprego é fator que gera grande preocupação e problemas, até os políticos lutam por um lugar ao sol, com seus empregos garantidos e um salário que supre satisfatoriamente suas necessidades básicas, de lazer e de regalias extras, mesmo que seja por apenas 4 anos no poder. Enquanto isso, o restante da população pode se divertir um pouco com alguns meses de simpatia e compromisso pré-eleitoral dos candidatos.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 27/05/2008

O início do fim.


Nas últimas semanas, presenciamos duas grandes catástrofes pelo mundo, mais precisamente na Ásia, onde um ciclone devastou o pequeno país Mianmar e um terremoto destruiu uma parte da China.
No começo do mês, o pequeno país Mianmar, localizado no sul da Ásia, próximo à China, sofreu com a fúria do ciclone Nargis, que devastou uma parte do país, deixando quase 80 mil mortos, segundo dados oficiais do governo do país, e centena de milhares feridos e desabrigados, porém infelizmente esses números somente tendem a aumentar ainda mais.
Um fato inacreditável após esta catástrofe, com números gigantescos, foi que o governo de Mianmar não permitiu a entrada de ajuda internacional, agravando ainda mais a situação de emergência vivida no país.
No último dia 12, um terremoto que chegou a 7,8 graus na escala Richter, atingiu o sudoeste da China, deixando, entre mortos e desaparecidos, um número superior a 50 mil, além das centenas de milhares de pessoas desabrigadas e feridas.
As imagens da destruição nos dois países são impressionantes e aterrorizantes, e nos fazem lembrar outras catástrofes naturais, como o Tsunami, que devastou alguns países da Ásia no final de 2004.
Fica uma questão no ar: será que essas catástrofes e desastres naturais têm o dedo do homem?
Após vários séculos de destruição e pouco caso com a natureza, o homem se deu conta, apenas agora, que sua interferência está causando um impacto muito grande nas condições climáticas e de vida na Terra. O desmatamento desenfreado, visando o lucro e o aumento da ‘civilização’, a poluição de rios, por indústrias que crescem a todo momento, a emissão de gases poluentes na atmosfera são fatores preponderantes para a desestabilização das condições de vida em nosso planeta, e tudo isso está sendo feito em nome do progresso e do desenvolvimento.
O aquecimento global, mudanças climáticas repentinas, fenômenos naturais com escalas acima do normal estão se tornando cada vez mais comuns em todo o mundo. E isso com certeza tem a interferência maciça do homem.
Diversos congressos ambientalistas são criados, tentativas de solução são discutidas a todo momento, campanhas de preservação ao meio ambiente atacam exaustivamente os meios de comunicação, tudo com um único propósito: salvar a “grande cagada” que o homem fez na Terra. (desculpem leitores a expressão utilizada, mas acredito que seja a mais indicada para concluir esta frase)
A humanidade está correndo atrás do prejuízo. Mas será que ainda dá tempo de recuperar o que foi feito? A natureza está apresentando a nós, com uma freqüência cada vez maior, a sua revolta. O homem está cavando a sua própria sepultura, essa é a verdade, e os episódios trágicos vividos na Ásia nada mais são do que reflexos dos atos impensados cometidos pelo ser humano... O único ser racional do planeta... E sua “racionalidade suprema” está conseguindo matar a Terra (irônico isso não?).
Vamos aplaudir de pé a todos nós, seres humanos racionais, povoadores do planeta e nossos atos extraordinários, pois podemos ser considerados “assassinos de nós mesmos” e vamos, enquanto o planeta não acaba, correndo para ver se consertamos os erros que cometemos.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 20/05/2008

“Que coisa linda, é uma partida de futebol.”

Estamos em maio de 2008, mais uma vez, teremos início ao espetáculo mais esperado do ano em nosso país, o início do Campeonato Brasileiro. Não se trata de nenhuma apresentação ou turnê do ‘Cirque du Soleil’, porém sua estrutura e atratividade não deixam nada a desejar ao maior circo do mundo. Também não estou falando sobre nenhuma super banda internacional, porém esse espetáculo possui fãs, como os de uma banda de rock, mas bem mais apaixonados. Vivemos no Brasil, país do samba, país do futebol, preferência nacional de 9 entre 10 brasileiros.
O ano de 2008 terá a 38ª edição do campeonato de clubes mais disputado do mundo, e o título de melhor time do Brasil estará em jogo, durante aproximadamente 7 meses, título este, cobiçado por todas as 20 equipes participantes da competição. Famoso por revelar vários craques para o futebol mundial, o Campeonato Brasileiro pode ser considerado o mais charmoso do mundo e conta com o privilégio de ter apresentado para o futebol, jogadores do nível de Pelé, Garrincha, Rivelino, Zico, Ademir da Guia, Raí.
Analisando a participação das equipes paulistas, podemos afirmar que a disputa de 2008 terá algumas particularidades.
Pela primeira vez na história o Corinthians, time de maior torcida no Estado de São Paulo, não estará na elite do futebol, pois em 2007, teve uma campanha vexatória e medíocre que culminou no rebaixamento para a 2ª divisão, esse ano tenta se reabilitar, porém com um time muito limitado e sem estrelas.
Nesse ano também, poderá acontecer um fato inédito na competição, pois o São Paulo pode conquistar o título pela 3ª vez consecutiva, tudo leva a crer que será o time a ser batido pelos concorrentes. Porém a tarefa do Tricolor Paulista não será nada fácil, afinal em 2008, com um elenco reduzido ainda não conseguiu demonstrar o futebol que o consagrou em 2007.
O Palmeiras vem embalado pela conquista do Campeonato Paulista, após 12 anos na fila, com investimentos pesados em contratações no começo do ano, tem um time experiente e um técnico arrogante, porém muito competente. Entra no campeonato com força, mas pode ser prejudicado pela perda de jogadores importantes no meio do ano, em virtude de transferências para o futebol europeu.
Após um início de temporada fraquíssimo, o Santos demonstra sinais de evolução, após contratações de reforços sul-americanos, a qualidade da equipe aumentou. Entretanto, apesar da evolução, possui um elenco bem inferior ao de anos anteriores, pode ser uma surpresa no campeonato, mas precisa evoluir muito ainda.
Podemos destacar ainda, nesse início de campeonato alguns dos favoritos ao título, como, Cruzeiro, Fluminense, Flamengo, Internacional, Grêmio. A competitividade do Brasileirão é única em todo o mundo, e com certeza teremos surpresas e muitas emoções este ano.
Apesar de sofrer com o assédio do futebol europeu, que leva jogadores brasileiros cada vez mais cedo para o “velho continente”, o Brasil tem a incrível capacidade de produção de bons jogadores em massa, como se fosse uma indústria a todo vapor.
O futebol é um esporte inexplicável, que encanta, emociona e apaixona, portanto, todos os apaixonados por futebol, como eu, se preparem, pois o maior espetáculo da Terra está começando e que vença o melhor!


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 13/05/2008

Trabalhador ou bobo da corte?

Na última quinta-feira, foi comemorado em vários países do mundo o Dia do Trabalho, de acordo com a história, esta data comemorativa foi criada em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, que era o principal centro industrial dos Estados Unidos na época. Na ocasião, milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre operários e a polícia. No Brasil, a primeira celebração da data de que se tem registro ocorreu em Santos, em 1895, por iniciativa do Centro Socialista, entidade fundada em 1889 por militantes políticos.
Passados mais de 120 anos do acontecimento, manifestações, confrontos e reivindicações envolvendo trabalhadores são comuns nos quatro cantos do mundo, reivindicando melhorias nas condições de trabalho, maiores salários, entre outros motivos.
No Brasil, há algum tempo, o grande desafio das manifestações trabalhistas gira em torno da redução da jornada de trabalho de 8 para 6 horas diárias. A proposta tem como principal intuito a criação de novos postos de trabalho e a diminuição do desemprego no país, tudo isso sem a redução no valor salarial. A reivindicação gera muitas discussões e divisões de opinião.
Primeiramente, a redução da jornada de trabalho seria uma grande vitória para os trabalhadores, pois estaria assim possibilitando a criação de novos empregos, diminuindo o número de desempregados no país, além, é claro, da maior valorização de sua mão de obra, pois com um salário-mínimo defasado como o do Brasil, o trabalhador muitas vezes “paga para trabalhar”.
Por outro lado, analisando pontos negativos, temos a dificuldade financeira com que os empresários poderiam enfrentar após essas mudanças, pois com a redução da jornada, os custos de produção se elevariam, acarretando em um aumento de preços no mercado, aumento da automatização da produção. Por conseqüência disso teríamos um efeito contrário às aspirações pregadas pelos sindicatos trabalhistas, talvez até piorando as condições de vida que encontramos atualmente.
A realidade brasileira, quanto aos trabalhadores é nítida aos olhos de qualquer pessoa: moramos em um país onde o salário-mínimo é um dos mais baixos do mundo, perdendo apenas para alguns países paupérrimos, desvalorizando totalmente o trabalhador, impossibilitando de proporcionar-lhe uma vida digna, suprindo suas necessidades básicas, além de uma previdência social quebrada e sem recursos. Em contradição a isso, observamos políticos, que “trabalham” uma vez por semana (quando vão uma vez por semana ao congresso) e ganham salários altíssimos, benefícios infindáveis, moradia e automóvel, sem contar os cartões corporativos.
E o que se pode fazer? É difícil responder a esse questionamento?
Claro que não, um absurdo como esses só se resolverá quando nossos “queridos” governantes e políticos brasileiros tomarem um remédio chamado ‘vergonha na cara’ e exercerem seus cargos de forma correta e transparente, lutando por interesses nacionais e realizando obras concretas de melhorias para toda a população. Talvez a questão trabalhista não se resolveria com a diminuição da jornada de trabalho, mas sim com salários mais dignos e projetos bem elaborados para distribuição de renda. Porém, enquanto a mentalidade política brasileira continuar apenas no “venha a nós”, questões como estas estão muito (mas muito mesmo) longe de serem resolvidas. Por enquanto continuaremos comemorando o dia do trabalho, com nossos salários mínimos vergonhosos e servindo de diversão aos marajás políticos do nosso país.


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 06/05/2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mais uma vez, Isabella.

Após um mês, o país continua focado em um assunto principal: o caso Isabella, que criou uma comoção nacional e agora está próximo de ter seu desfecho. Com as recentes investigações, já bem avançadas, é possível dizer que todas as evidências apontam para o casal ‘Nardoni’ como culpados.
Em entrevista concedida ao programa Fantástico, da Rede Globo, os principais acusados da morte falaram pela primeira vez em rede nacional e pudemos visualizar uma situação, no mínimo inusitada, quanto à reação do casal que “perdeu sua filhinha”. Era impressionante a capacidade de um ‘choro forçado’ por parte de Ana Carolina Jatobá, que passou a entrevista inteira forjando uma situação de profunda tristeza, ou seria esse um pranto de medo pelo que estava por vir? Pois, se condenada, provavelmente passará dias difíceis dentro da prisão. Por outro lado, vimos Alexandre Nardoni, uma pessoa totalmente fria e até calculista. Em momento algum o pai se mostrou indignado com a situação, com respostas calmas, chegando a ser irônicas em certos momentos, era possível até identificar um início de sorriso em algumas respostas, sem contar ainda seus constantes desvios de olhar, não dando credibilidade nenhuma ao seu depoimento.
Sinceramente, na minha concepção, após o término da entrevista, algumas coisas ficaram evidentes: a madrasta não passa de uma pessoa cínica, tentando a todo momento forçar um sentimento de comoção junto à população, o pai é um caso raro, se trata de um assassino frio e calculista, podendo até ser comparado aos grandes vilões de Hollywood. Acredito ainda que a entrevista complicou ainda mais a situação do casal.
Desculpem caros leitores pelas próximas linhas, que talvez contenham uma opinião emocional muito forte, mas é impossível, com uma situação como esta, não demonstrar meu sentimento de indignação.
Como uma pessoa consegue cometer um ato de tal brutalidade com sua própria filha? E após o ocorrido ainda agir com uma naturalidade fora do comum? A realidade é que pessoas como estas deveriam ter retirado seu direito de viver, ou até passar por situações de tortura, para poder pagar pelo que fizeram. É impossível analisar friamente esses atos.
O fator que gera mais indignação no caso é que, se condenado, o casal poderá ter como pena apenas 30 anos, tendo ainda o direito de liberdade condicional por boa conduta, após o cumprimento de uma parte da pena, sem mencionar que Alexandre terá direito de ficar em uma cela individual, por ter curso superior completo. Penas leves, em se tratando de um ato com tamanha brutalidade, pois além de retirar a vida de uma criança inocente, com toda uma vida pela frente, causou dor e sofrimento em uma família inteira.
Podemos nesse momento exaltar e contemplar a nossa legislação e seus criadores, que consolidam a violência no país. Aplaudamos também o atual poder legislativo e os anteriores, incapazes de propor reformas constitucionais e penais, talvez por incompetência ou até preguiça em elaborar novas leis, com certeza isso dá muito trabalho. Nesse país, as únicas penas rígidas são aplicadas aos anônimos ‘ladrões de galinha’, numa nação onde a elite e os crimes hediondos são privilegiados, quem “paga o pato” são os pobres.
Para finalizar o assunto, podemos utilizar uma estrofe do maior de todos os poetas da música brasileira, Renato Russo, “vamos celebrar a estupidez humana...”


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 29/04/2008

‘Guerras Santas’.

Atualmente, vivemos em uma sociedade marcada por conflitos, violência e fatos inacreditáveis, difíceis de serem explicados. Em virtude desses problemas, além de outros fatores significativos, uma grande onda religiosa cresce em todo o mundo, novas religiões surgem, novas doutrinas e novos ensinamentos estão se multiplicando a todo vapor, como se o mundo todo estivesse necessitando muito de uma ajuda superior para enfrentar seus problemas. A religião e a fé estão em alta em todo o planeta.
Em um conceito teórico, religião pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças enquanto fé é definida como uma firme convicção de que algo seja verdade. Analisando seus conceitos, podemos concluir que religião e fé são duas coisas que se completam. Talvez essas explicações teóricas nos façam entender como um sentimento considerado ‘divino’ gera tantos conflitos, mortes e guerras pelo mundo.
Podemos elencar vários casos onde a religião foi fator preponderante para iniciar guerras, algumas ainda longe de seu término, dizimar nações e gerar conflitos entre pessoas. Exemplos claros como a guerra entre Israelenses e Palestinos que tem como um de seus principais motivos, além da disputa territorial, a disputa ideológica entre “judeus” e “muçulmanos”, os conflitos sangrentos no processo de separação da ex-Iugoslávia no início da década de 90 foram dados principalmente às diferenças entre ortodoxos, católicos e muçulmanos. Podem ser citados ainda, nesta interminável lista de “violência religiosa” os episódios da Irlanda do Norte, Timor Leste, Cashemira e Sudão.
Em uma realidade mais próxima, dentro de nosso país, vemos uma rivalidade de crenças aumentando, porém, por enquanto, bem menos violenta que as citadas acima: as provocações entre católicos e evangélicos. Após presenciarmos, há alguns anos atrás, a destruição de uma imagem de um santo católico protagonizada por um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus em rede nacional, vemos a interpretação de uma moça evangélica fanática e preconceituosa na novela Duas Caras, exibida pela Rede Globo. Em ambos os fatos, a repercussão foi muito grande, gerando muita polêmica e discussões entre a população. Notas publicadas pelas duas religiões mostram a indignação diante destes acontecimentos.
Mas afinal, porque religião gera tanta conflitos e discussões se teóricamente todas acreditam em um Deus?
A realidade é uma só, porém muito polêmica: cada uma das partes acredita que a verdade e a razão de todos os assuntos está do seu lado, não aceitando que, em um mundo tão grande como o nosso, possa existir grupos de pessoas com opiniões e ideais contrários. A tentativa de imposição de ideologias é o fator principal que gera toda essa realidade que visualizamos no mundo, contradizendo totalmente com seus próprios princípios e suas doutrinas.
Existe sim a possibilidade do ser humano viver harmonicamente que na verdade teria que ser um dever de cada um, a receita para isso é simples e não tão difícil de ser implantada. É necessário apenas algumas regras básicas, que nos são ensinadas desde pequenos por nossos pais e também pela religião: o bom senso, respeito, compreensão, ética, amor ao próximo são alguns desses ingredientes, mas que infelizmente poucas vezes são colocadas em prática.
Essa é a realidade... vamos “rezar” para ela se modificar?
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 22/04/2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

Um país que clama por justiça.

Há pouco mais de 15 dias o país inteiro vive um momento de comoção devido ao caso Isabella Nardoni, um crime que chocou o Brasil inteiro, acontecido no dia 29 de março.
Após investigações sobre o fato, foram constatadas que haviam marcas de violência e asfixiamento no corpo da menina, comprovando o homicídio e que o motivo da morte não foi apenas sua queda do sexto andar do prédio onde residem os dois principais suspeitos do crime, seu pai e sua esposa, madrasta da menina.
Crimes desse tipo geram uma grande indignação quanto à justiça de nosso país e nos fazem lembrar vários outros casos de homicídio contra crianças, como o caso João Hélio no Rio de Janeiro, que fora arrastado por um carro com bandidos em alta velocidade em fevereiro de 2007 e o caso Yves Ota, em 1997, seqüestrado por funcionários de seu pai e assassinado após ter reconhecido um dos bandidos.
Várias dúvidas e questionamento ainda pairam sobre o caso Isabella e muitos outros casos. Se comprovada a culpa do pai e da madrasta no caso, fica a dúvida, como um pai pode tirar a vida de seu próprio filho? Como uma pessoa em sã consciência tem a coragem de assassinar uma criança? Até que ponto vai a frieza de uma pessoa que comete uma barbárie dessa grandeza? O que se passa na mente de um assassino ao cometer crimes contra pessoas inocentes e indefesas e sem motivos reais?
Sinceramente existem coisas que se passam no cérebro humano que nem a lógica consegue explicar, talvez um distúrbio psicológico ou uma doença grave sejam alguns fatores apontados como explicação, porém existem casos que não se trata disso, mas sim a mais pura e total falta de caráter, sentimento e decência, acrescentando-se a isso uma dose grande de crueldade. Na realidade pessoas como estas, que tiram a vida de inocentes e criam feridas incuráveis e sofrimento em suas famílias, perdem totalmente o direito de serem tratados como seres humanos.
Analisando vários casos como este, percebe-se que o grande problema são as leis que regem nosso país, uma constituição ultrapassada, com vários pontos falhos, um código penal que dá todas as regalias e favorecimentos aos infratores, principalmente nos casos de crimes hediondos, onde a pena máxima que uma pessoa pode pegar não passa de 30 anos. Sem contar ainda a liberdade condicional, concedida após o cumprimento de metade da pena aos presos de boa conduta. Todos esses benefícios contribuem consideravelmente para a evolução e aumento da criminalidade no Brasil.
O sistema judiciário do Brasil está doente, necessita de reformas, uma possibilidade de solução seria a revisão de todo o código penal e da constituição nacional, tratando crimes com mais seriedade e mais severidade por parte das autoridades competentes. Dando assim mais segurança e punindo devidamente os atos criminais de forma mais coerente e mais justa. Talvez, medidas como estas não surtem efeitos tão imediatos, mas é uma saída que pode ser considerada para amenizar a criminalidade do país.
É fato que essa medida está longe de acontecer, enquanto isso todos os cidadãos brasileiros esperam que a justiça seja feita, não só em casos com maiores repercussões, como o da menina Isabella, mas também em todos os outros. Justiça é a palavra da vez e deve ser cumprida.


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 15/04/2008

sábado, 12 de abril de 2008

Evolução da Classe C no Brasil: o combustível do crescimento.

Pesquisas recentes realizadas apontaram que o Brasil teve um alto índice de crescimento na Classe C, em dois anos, mais de 20 milhões de brasileiros saíram da pobreza e emergiram para a classe média. Hoje, esta fatia da população representa mais de 86 milhões de pessoas, ou 46%, o que a torna a classe com mais numerosa do país.
É interessante traçar um paralelo entre este acontecimento e a realidade de alguns países, pois muitos deles, principalmente europeus, que se encontram em um patamar desenvolvido hoje, deram seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento através da ascensão política e econômica da classe média.
Pode-se notar que o poder de consumo do brasileiro aumentou consideravelmente, a estabilização econômica e o nível de crescimento fez com que os créditos a longo prazo fossem largamente estendidos a uma parte da população que há tempos atrás nem sonhava com essa possibilidade. É interessante notar também que a elevação do poder aquisitivo do brasileiro fez com que o comércio e a indústria entrassem em um período de melhoras, aquecendo ainda mais a economia. Dados mostram que, mesmo com a crise financeira norte-americana, o Brasil deverá fechar o ano de 2008 com uma taxa de crescimento econômico em elevação. Uma boa notícia para todos nós, mostrando que a dependência com o país do “Tio Sam” já não é tão forte quanto em tempos passados. É importante citar ainda que o crescimento econômico brasileiro não se compara a países como China e Índia, porém pode ser considerado relevante se analisarmos o longo período de estagnação econômica que nosso país passou devido aos altos valores devidos ao FMI e Bird, a chamada dívida externa.
É evidente que essa melhora na situação do país teve seu marco inicial com a implantação do plano real em 1994. Fica claro que após a implantação da moeda, que até hoje vigora em nossa nação, houve uma estabilização econômica e uma diminuição extraordinária da inflação, que antes chegava a índices inacreditáveis de mais de 35% ao dia. É fato também que, pela primeira vez na história, o Brasil teve um declínio considerável em sua classe de miseráveis, isso se deve muito aos projetos sociais implantados pelo governo Lula, tais como o Bolsa Família, que auxilia muitos lares carentes.
Acredito que um ponto importante para esse novo período econômico foi a quitação da dívida externa, isso fez com que o país adquirisse autonomia, diferente de tempos atrás, onde o Brasil não passava de um fantoche na mão dos credores internacionais. É necessário apenas a implantação de um projeto de crescimento conciso e bem elaborado, afinal, potencial e condições para isso não faltam. Deve-se aproveitar o momento e investir no crescimento do país, não deixando acontecer como na década de 70, com o ‘milagre econômico’, que foi uma coisa passageira.
Quero deixar bem claro que não estou aqui fazendo apologias ao governo Lula, que possui muitos problemas e falhas, mas sim demonstrando uma realidade que está acontecendo no país. É claro que a situação ainda está longe do ideal, porém há certa esperança de melhorias, talvez isso seja um presságio de um período de desenvolvimento, mas também há uma possibilidade de ser apenas mais um verão de ‘vacas gordas’ que logo irá terminar... É esperar para ver.
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 08/04/2008

Big Brother Brasil: uma receita que foge da lógica.

Big Brother é um reality show que surgiu em 1999, na Holanda, idealizado pelo executivo John de Mol e se expandiu pelo mundo. O nome do programa, que, em inglês, significa Grande Irmão, foi influenciado por uma novela de mesmo título, em 1984, escrita por George Orwell, no qual o Big Brother é um líder que tudo vê e que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Apesar de ter seu surgimento na Holanda, foi no Brasil que o reality show teve o auge do sucesso. Após oito edições é incrível observar que o programa não se desgastou, contrariando lógicas e teses, e o mais impressionante disso tudo são os índices elevados de audiência, que somente perdem para as tão famosas “novelas das oito”.
Há exatamente uma semana, o fenômeno de audiência da televisão brasileira, teve seu desfecho, contemplando o paulista Rafinha como o grande vencedor da oitava edição, levando como prêmio 1 milhão de reais. Um prêmio que, com certeza, muda a vida de quem tem a felicidade de conquistá-lo, porém se torna irrisório diante dos números e da lucratividade gerados pelo programa.
Podemos começar nossos cálculos com os cinco patrocinadores principais, que eram responsáveis por manter a casa, cada um desembolsou a quantia de R$ 10 milhões. Acrescenta-se a esses números as cotas de merchandising de outras marcas, que variavam entre R$ 700 mil a R$ 1 milhão, apenas para ter seus produtos à mostra dentro da casa. Gastos elevadíssimos para qualquer empresa, porém seu retorno de vendas foi muito maior, como o próprio empresário da Niely Cosméticos mencionou: “não sobrou produto nas prateleiras em 2007. enquanto existir BBB, vamos patrocinar”. Além disso, somam-se ainda as ligações telefônicas nos dias de ‘paredão’ que sempre passam de milhões, simplesmente uma fortuna.
Tudo não passa de uma jogada inteligentíssima de mercado da Rede Globo, que utiliza de sua força e audiência para lançar anualmente um programa que produz um lucro exorbitante com número de telespectadores quase impossíveis de serem alcançados por qualquer concorrente, tudo em apenas 3 meses de transmissão, agregado, é claro, à uma equipe competente de profissionais.
Para os participantes, a grande cartada seria a tentativa de uma melhora significativa de vida, além é claro de uma tentativa de elevar seus egos, podendo demonstrar suas individualidades e seus ‘talentos’, além de uma superexposição na imprensa, tendo seus minutinhos de fama que, em alguns casos, acaba se prolongando por um período de tempo maior.
Todos esses fatores são muito interessantes em uma visão mercadológica, publicitária e empresarial, mostrando a força e os resultados de um trabalho bem elaborado e bem executado, porém existem fortes fatores negativos em vários setores que conseguem tirar todo o brilho desse programa.
Os critérios de escolha dos participantes são muito parciais, onde fica claro que são selecionadas sempre pessoas que possuem uma classe social média-alta, boa aparência e que não possuem nenhum conteúdo aproveitável de interesses e inteligência. Para tentar mascarar um pouco essa realidade, os diretores do BBB, em todas as edições, abrem uma ou duas exceções, colocando pessoas menos privilegiadas nos critérios acima citados além dar a chance a uma pessoa da cor negra, para evitar questionamentos sobre preconceito, curiosamente essas pessoas nunca avançam muito no jogo. O programa consegue também ter um alto índice de vulgarização,priorizando e privilegiando as cenas com conteúdos impróprios.
A realidade do BBB é clara, se trata de um programa que visa somente o lucro e a audiência, sem se preocupar com o lado social, educacional e cultural. Muito pelo contrário, transmite apenas uma cultura totalmente inútil para os telespectadores. Uma mistura estranha, que foge da lógica, acabou dando certo em terras tupiniquins. E, com certeza, o ano que vem tem mais uma edição...



Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 01/04/2008

sábado, 29 de março de 2008

Escola de Tempo Integral: uma questão a ser discutida.



A Escola de Tempo Integral no Estado de São Paulo foi um projeto implantado pelo governo Geraldo Alckmin e pelo então Secretário da Educação Gabriel Chalita no ano de 2006. As maiores mudanças na rotina dos alunos foi a ampliação da jornada diária de aulas de 5 para 9 horas. O projeto da escola de tempo integral possui um conteúdo didático-pedagógico que visa atividades diferenciadas e uma melhor preparação do aluno para enfrentar o mercado de trabalho, além de ampliar seu leque de conhecimentos e melhorar seu aproveitamento em sala de aula.
Todo esse projeto, no papel, é muito bom, porém a realidade de sua execução não consegue corresponder ao contexto, devido a uma série de fatores relevantes que não foram levados em consideração no momento de sua implantação, após dois anos, já se podem notar claramente as falhas e conseqüências disso.
Em primeiro lugar, um projeto com essa amplitude e estrutura deveria ser estudado e avaliado durante muito tempo, analisando todos os fatores positivos e negativos, colocando na balança o que realmente é viável e quais adaptações deveriam ser efetuadas para o sucesso do mesmo.
As escolas estaduais não estão adequadas à essa nova realidade, sua estrutura física não comporta as necessidades de alunos que passam o dia todo dentro de um estabelecimento de ensino. Em quase sua totalidade, não possuem cozinhas e refeitórios com tamanhos adequados e condições de higiene necessárias, além de não existir banheiros e vestiários decentes, áreas onde o aluno pode descansar após o almoço, entre outras coisas.
Pode-se destacar também que a grande maioria dos educadores não está preparada para as necessidades do projeto da escola de tempo integral, pois tiveram que se adequar às novas normas e métodos de ensino sem contar com orientações técnicas e cursos preparatórios decentes.
O número de rejeição do projeto entre pais e alunos é muito grande, muitos desaprovam o novo método e o despreparo em todos os setores.
Em pesquisas realizadas recentemente foi constatado que o aproveitamento dos alunos de escola de tempo integral no SARESP, prova aplicada pelo governo para avaliar o rendimento do aluno e sua aprendizagem, não foi superior aos resultados de alunos de escolas com ensino comum.Após todas as explanações acima, fica uma dúvida no ar: será que o projeto de uma escola de tempo integral é viável? Se trata de um ótimo projeto, com objetivos muito bons, porém foi implantado de forma totalmente equivocada e antes do tempo. Mas acredito que o grande problema desta história toda foram os reais motivos de sua implantação. Com certeza, o senhor Geraldo Alckmin queria utilizar-se desse fator relevante para a educação estadual em sua campanha política, visando a Presidência da República, para assim tentar alavancar sua candidatura e derrotar seu grande concorrente, Lula. Infelizmente, para Alckmin, ”o tiro saiu pela culatra”, culminando com sua derrota nas eleições. Porém o grande prejudicado nessa história toda é a população paulista, que tem que conviver com um projeto educacional mal implantado e mal estruturado devido à interesses políticos... É, meus caros, isto não é ficção, é a mais pura realidade, isto é Brasil.




Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 25/03/2008

A Grande Família.


O assunto desta semana não é muito atual, na verdade aconteceu a exatas duas centenas de anos atrás, um fato que mudou a história de nosso país e principalmente do Rio de Janeiro: a vinda da família real portuguesa para sua colônia.
Na época a Europa estava vivendo o período Napoleônico, onde o imperador francês, Napoleão Bonaparte, ditava as regras, exilava ou matava reis e imperadores de países vizinhos. E a caçada de Napoleão tinha como próximo objetivo o trono português. Sabendo da situação, D. João resolveu, mais que depressa, que a corte portuguesa iria bater em retirada para sua maior colônia, o Brasil, e o fizeram.
Seria o príncipe regente um covarde, como todos os europeus tinham rotulado? Por deixar seu país às pressas com medo de Napoleão. Talvez... mas na realidade D. João foi muito inteligente, deve ter pensado: “saio do país para não correr riscos de vida, e, quando tudo acabar, volto ao poder como se nada tivesse acontecido”.
D. João era uma figura diferente das que todos têm idealizado em mente, quando se trata de um príncipe. Dono de manias singulares, o príncipe regente ficou famoso por não gostar de tomar banhos, e por sua aparência que não agradava aos padrões de beleza e por sua paixão por caçadas, além de ter uma família conturbada: sua mãe, a rainha Maria I, conhecida como “Maria Louca” era louca de fato e foi afastada do trono português devido a sua insanidade mental; sua esposa, a princesa Carlota Joaquina, seguia os passos da mãe e conspirava incessantemente contra o príncipe.
Após uma viagem talvez não muito confortável, o então príncipe regente D. João VI e sua família foram calorosamente recepcionados pela população carioca, que os receberam em tom de festa, talvez nem sabendo o real motivo de sua chegada. A corte portuguesa se deparou com uma realidade diferente da que estava acostumada na Europa, com um país totalmente sem desenvolvimento, sem comércio e sem um governo real.
O grande ponto positivo da vinda de D. João para o Brasil foram suas atitudes, a construção de vários bens para o Brasil, a abertura de um comércio de verdade no país, além de deixar encaminhado o processo de independência do país, fato que seria consolidado com seu filho, Pedro, anos mais tarde. Na realidade D. João VI foi uma figura interessante no contexto histórico brasileiro, com uma postura diferenciada dos padrões europeus, dono de atitudes e ações até certo ponto hilárias, marcou seu nome na história como ‘o covarde que correu de Napoleão’ mas também como o grande percussor do progresso e desenvolvimento de um país chamado Brasil.
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 18/03/2008

Um Circo chamado “América do Sul”.



FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) organização que tem inspiração comunista, criada em 1964, com ostentação militar do Partido Comunista Colombiano, possui entre 12 a 18 mil membros. Porém na realidade, o cunho e os ideais comunistas já não possuem tanta prioridade nesta organização, pois as FARC se tornaram conhecidas mundialmente por seus métodos e táticas terroristas e por possuir em seu domínio muitos reféns civis colombianos há alguns anos.
Nas últimas semanas essa organização foi destaque em todos os meios de comunicação do mundo além de conseguir tirar a tranqüilidade dos países sul-americanos.
Na sede de vingança e na esperança de conseguir eliminar um dos mais fortes comandantes das FARC, Álvaro Uribe, presidente da Colômbia,se precipitou, bombardeando sem dó um acampamento da organização. Seria até uma atitude normal (em se tratando das FARC), porém o acampamento se encontrava em território equatoriano, o que enfureceu o presidente Rafael Corrêa, que presenciou suas fronteiras sendo invadidas por um país vizinho sem autorização. Um grande erro provocado pelo governo colombiano, gerando uma situação incômoda, inconveniente e totalmente desrespeitosa às fronteiras e sobrania de uma nação.
A situação mais impressionante não tem a ver com os protagonistas do acontecimento, mas sim com o arrogante presidente venezuelano Hugo Chávez, que financia e apóia o “grupo terrorista colombiano” e, em seu pronunciamento, se colocou contra Uribe. Como se isso não fosse suficiente, George W. Bush, desafeto de Chávez, não perdeu a oportunidade e, em pronunciamento oficial, declarou que apoiará a Colômbia até as últimas conseqüências no caso.
A realidade é única, as FARC são uma ameaça dentro da América do Sul, principalmente para a Colômbia, porém Uribe está totalmente errado em atacar a organização em um país vizinho. Rafael Corrêa caiu de pára-quedas na história, além de ser quem tem mais razão para reclamar. Bush fez o que sempre está acostumado a fazer: se intrometer onde não é chamado. Já Chávez... Realmente, a cada dia se supera, tornando-se uma das pessoas mais ridículas e arrogantes de todo o mundo, daria até pra utilizar um jargão que ficou muito conhecido após o filme ‘Tropa de Elite’: “ele é um fanfarrão”.
Podemos comparar esse acontecimento a um grande “circo”, onde as FARC seria um leão que fugiu de seu domador – Álvaro Uribe – que por sua vez acabou invadindo a jaula do elefante – Rafael Corrêa, o deixando furioso. Quando o circo já estava quase pegando fogo, seu dono – Geroge Bush – apareceu e tentou colocar ordem, dando apoio ao domador de leões, porém, quem realmente quis ser o centro das atenções de toda história foi o palhaço Chávez, que tentou se passar por dono do circo, soltando o leão de sua jaula e causando toda a confusão. E nós, como platéia, esperamos pelo ‘grand finale’ que sempre termina feliz, e esse não poderia ser diferente, com um singelo aperto de mão entre os três presidentes a paz foi selada, como se nada tivesse acontecido. Faz-me rir América.




Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava, dia 11/03/2008

‘Adiós’ Fidel.


Herói de uma nação, vilão mundial, ou simplesmente um severo ditador socialista? Seria difícil, em uma pesquisa de opinião popular, definir precisamente o que mais se encaixa a Fidel Castro, correto é dizer que durante sua vida política conseguiu alguns seguidores e muitos inimigos, mas também conquistou o que poucos conseguem: o respeito de quase todos. No último dia 19, presenciamos sua renuncia após 49 anos de “reinado”, colocando um ponto final a um dos maiores períodos de ditadura da história contemporânea. Uma era se desfaz... Será?
Seguidor da doutrina marxista, Fidel liderou a Revolução Cubana (1958-1959) ao lado do argentino Ernesto “Che” Guevara, tornando-se conhecido mundialmente após o golpe de estado que derrubou o ditador Fulgêncio Batista e que instaurou o “comunismo castrista” em Cuba.
O sistema de governo de Fidel teve duas faces distintas, por um lado investiu em infra-estrutura nas áreas da saúde, educação e esportes e também tornou-se por algum tempo o maior produtor de açúcar do mundo, por outro fez com que a população tivesse uma sobrevida, com salários miseráveis e nenhum incentivo às atividades econômicas internas, além do controle de todos os meios de comunicação da Ilha, com formas de repreensão muito fortes.
Com o fortalecimento do socialismo na União Soviética, Cuba acabou se transformando em uma ameaça para o capitalismo e, principalmente, para os Estados Unidos, por ser o único país da América a adotar o sistema socialista. Como conseqüência, os americanos embargaram a “ilha de Fidel” rompendo suas relações. Porém a desintegração da URSS e a queda do Muro de Berlin, fizeram com que o potencial cubano e suas fontes de apoio externas enfraquecessem consideravelmente, mas Fidel manteve sua posição mundial, fazendo com que o país “parasse no tempo”, a produção canavieira caiu consideravelmente, e seus setores mais desenvolvidos (educação e saúde) ficaram defasados.
A renuncia do “comandante da ilha”, se deve única e exclusivamente à sua condição de saúde já bem agravada. Para muitos, o fato marca o começo de uma nova era, porém é bem provável que a realidade não seja assim tão revolucionária, pois seu irmão e sucessor, Raul Castro, é, acima de tudo, seguidor e combatente da Revolução Cubana e já declarou que as decisões do país passarão por conselhos e recomendações de Fidel. A realidade é clara, os “passos” da ilha continuarão influenciados pela voz de Fidel, agora de uma forma indireta.
O saldo após os 49 anos do governo Fidel Castro não foi favorável à Cuba, pois setores potenciais sócio-econômicos estão ultrapassados e enfraquecidos e o país vive em plena miséria. É visível a necessidade da abertura econômica e da reestruturação de todos os setores, entretanto é bem provável que mudanças de fato aconteçam apenas após a morte do líder cubano, da mesma forma que ocorreu com a China após a renuncia de Mão Tse-tung e com a União Soviética pós Leonid Brejnev.
O futuro de Cuba é incerto, as mudanças são necessidades evidentes e fundamentais e as atitudes do novo chefe de Estado são incógnitas. Todos esses ingredientes podem resultar em uma caminhada contínua à beira da miséria com uma população sofrendo calada. Outra possibilidade, menos provável, é a abertura econômica e a melhora nas condições do país. Mas também há possibilidade da indignação popular junto ao novo governo, podendo gerar consequentemente uma guerra civil. Talvez o mais correto seria dizer que Cuba pode, em pouco tempo, se tornar uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer momento.E quanto à renuncia de Fidel, o melhor a dizer seria: “Vá com Deus, e não volte ao poder... o mundo agradece.”



Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 04/03/2008