O assunto desta semana não é muito atual, na verdade aconteceu a exatas duas centenas de anos atrás, um fato que mudou a história de nosso país e principalmente do Rio de Janeiro: a vinda da família real portuguesa para sua colônia.Na época a Europa estava vivendo o período Napoleônico, onde o imperador francês, Napoleão Bonaparte, ditava as regras, exilava ou matava reis e imperadores de países vizinhos. E a caçada de Napoleão tinha como próximo objetivo o trono português. Sabendo da situação, D. João resolveu, mais que depressa, que a corte portuguesa iria bater em retirada para sua maior colônia, o Brasil, e o fizeram.
Seria o príncipe regente um covarde, como todos os europeus tinham rotulado? Por deixar seu país às pressas com medo de Napoleão. Talvez... mas na realidade D. João foi muito inteligente, deve ter pensado: “saio do país para não correr riscos de vida, e, quando tudo acabar, volto ao poder como se nada tivesse acontecido”.
D. João era uma figura diferente das que todos têm idealizado em mente, quando se trata de um príncipe. Dono de manias singulares, o príncipe regente ficou famoso por não gostar de tomar banhos, e por sua aparência que não agradava aos padrões de beleza e por sua paixão por caçadas, além de ter uma família conturbada: sua mãe, a rainha Maria I, conhecida como “Maria Louca” era louca de fato e foi afastada do trono português devido a sua insanidade mental; sua esposa, a princesa Carlota Joaquina, seguia os passos da mãe e conspirava incessantemente contra o príncipe.
Após uma viagem talvez não muito confortável, o então príncipe regente D. João VI e sua família foram calorosamente recepcionados pela população carioca, que os receberam em tom de festa, talvez nem sabendo o real motivo de sua chegada. A corte portuguesa se deparou com uma realidade diferente da que estava acostumada na Europa, com um país totalmente sem desenvolvimento, sem comércio e sem um governo real.
O grande ponto positivo da vinda de D. João para o Brasil foram suas atitudes, a construção de vários bens para o Brasil, a abertura de um comércio de verdade no país, além de deixar encaminhado o processo de independência do país, fato que seria consolidado com seu filho, Pedro, anos mais tarde. Na realidade D. João VI foi uma figura interessante no contexto histórico brasileiro, com uma postura diferenciada dos padrões europeus, dono de atitudes e ações até certo ponto hilárias, marcou seu nome na história como ‘o covarde que correu de Napoleão’ mas também como o grande percussor do progresso e desenvolvimento de um país chamado Brasil.
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 18/03/2008
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