domingo, 3 de agosto de 2008

Um preconceito verde e amarelo.

Na última semana, um fato ocorrido fez com que uma polêmica fosse levantada mais uma vez: o preconceito homossexual no Brasil.
Há aproximadamente 2 semanas, os sargentos do exército Laci Marinho de Araújo e Fernando Alcântara de Figueiredo declararam na mídia que são homossexuais e que vivem junto há mais de dez anos. A confissão gerou uma situação de desconforto para as Forças Armadas Brasileiras.
Há algum tempo o casal sofre uma certa ‘perseguição’ de seus comandantes. Em 2007, Laci se afastou do exército por seis meses, devido a problemas de saúde e apresentou o laudo clínico expedido por um neurologista, porém o documento não foi aceito pela junta militar e o sargento foi condenado pelo crime de deserção.
Na última terça-feira, dia 03 de junho, por volta das 23h30min, após entrevista ao programa Super Pop da RedeTV, a Polícia do Exército cercou as dependências da emissora e prendeu o sargento Laci.
Dentro da história mundial, existem casos onde grandes exércitos foram liderados por homossexuais e muitos deles foram considerados quase invencíveis. Dentre eles estão os gregos Alcebíades e Alexandre, o Grande, o líder Romano Júlio César e o conselheiro nazista alemão Ernst Röhm. O último citado fora morto sob acusação de traição e marcou o início da ‘caçada’ aos homossexuais.
É interessante observar as contradições que vivemos em nosso país, um país onde as autoridades pregam a igualdade e a liberdade, num país onde (dizem) o preconceito não existe, nos deparamos com um crime de deserção, sem um motivo real, no tão imponente exército brasileiro.
E por qual motivo foi decretado esse crime? Por ausência de um laudo médico? Ou será que o crime de deserção foi apenas um pretexto para a prisão de um integrante do batalhão que não teve vergonha nem medo de expor sua opção sexual?
Pode-se perceber claramente que há um grande preconceito quanto a esse caso, analisando os fatos, podemos também concluir que, para os oficiais e comandantes, a presença de dois homossexuais assumidos publicamente e nacionalmente dentro de uma corporação do exército poderia deturpar a imagem masculinizada que as Forças Armadas possuem.
Dentro de nosso país, não somente no exército, o preconceito ainda é um fator relevante na sociedade. É possível encontrarmos casos de preconceito sexual, racial, ideológico, religioso, entre outros. Seria necessário uma mudança de pensamentos e valores, para que o Brasil fosse considerado um país realmente igualitário. É evidente, porém, que, se compararmos com tempos passados, já houveram mudanças e evoluções nesse processo de extinção de preconceitos, mas para ele se concretizar ainda é necessário percorrer um longo caminho.
Estamos vivendo no século 21, inovações tecnológicas e a evolução do ser humano surpreendem, mas um problema de séculos atrás ainda não foi superado, infelizmente, esse é o ser humano.

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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 10/06/2008

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