quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mais uma vez, Isabella.

Após um mês, o país continua focado em um assunto principal: o caso Isabella, que criou uma comoção nacional e agora está próximo de ter seu desfecho. Com as recentes investigações, já bem avançadas, é possível dizer que todas as evidências apontam para o casal ‘Nardoni’ como culpados.
Em entrevista concedida ao programa Fantástico, da Rede Globo, os principais acusados da morte falaram pela primeira vez em rede nacional e pudemos visualizar uma situação, no mínimo inusitada, quanto à reação do casal que “perdeu sua filhinha”. Era impressionante a capacidade de um ‘choro forçado’ por parte de Ana Carolina Jatobá, que passou a entrevista inteira forjando uma situação de profunda tristeza, ou seria esse um pranto de medo pelo que estava por vir? Pois, se condenada, provavelmente passará dias difíceis dentro da prisão. Por outro lado, vimos Alexandre Nardoni, uma pessoa totalmente fria e até calculista. Em momento algum o pai se mostrou indignado com a situação, com respostas calmas, chegando a ser irônicas em certos momentos, era possível até identificar um início de sorriso em algumas respostas, sem contar ainda seus constantes desvios de olhar, não dando credibilidade nenhuma ao seu depoimento.
Sinceramente, na minha concepção, após o término da entrevista, algumas coisas ficaram evidentes: a madrasta não passa de uma pessoa cínica, tentando a todo momento forçar um sentimento de comoção junto à população, o pai é um caso raro, se trata de um assassino frio e calculista, podendo até ser comparado aos grandes vilões de Hollywood. Acredito ainda que a entrevista complicou ainda mais a situação do casal.
Desculpem caros leitores pelas próximas linhas, que talvez contenham uma opinião emocional muito forte, mas é impossível, com uma situação como esta, não demonstrar meu sentimento de indignação.
Como uma pessoa consegue cometer um ato de tal brutalidade com sua própria filha? E após o ocorrido ainda agir com uma naturalidade fora do comum? A realidade é que pessoas como estas deveriam ter retirado seu direito de viver, ou até passar por situações de tortura, para poder pagar pelo que fizeram. É impossível analisar friamente esses atos.
O fator que gera mais indignação no caso é que, se condenado, o casal poderá ter como pena apenas 30 anos, tendo ainda o direito de liberdade condicional por boa conduta, após o cumprimento de uma parte da pena, sem mencionar que Alexandre terá direito de ficar em uma cela individual, por ter curso superior completo. Penas leves, em se tratando de um ato com tamanha brutalidade, pois além de retirar a vida de uma criança inocente, com toda uma vida pela frente, causou dor e sofrimento em uma família inteira.
Podemos nesse momento exaltar e contemplar a nossa legislação e seus criadores, que consolidam a violência no país. Aplaudamos também o atual poder legislativo e os anteriores, incapazes de propor reformas constitucionais e penais, talvez por incompetência ou até preguiça em elaborar novas leis, com certeza isso dá muito trabalho. Nesse país, as únicas penas rígidas são aplicadas aos anônimos ‘ladrões de galinha’, numa nação onde a elite e os crimes hediondos são privilegiados, quem “paga o pato” são os pobres.
Para finalizar o assunto, podemos utilizar uma estrofe do maior de todos os poetas da música brasileira, Renato Russo, “vamos celebrar a estupidez humana...”


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 29/04/2008

‘Guerras Santas’.

Atualmente, vivemos em uma sociedade marcada por conflitos, violência e fatos inacreditáveis, difíceis de serem explicados. Em virtude desses problemas, além de outros fatores significativos, uma grande onda religiosa cresce em todo o mundo, novas religiões surgem, novas doutrinas e novos ensinamentos estão se multiplicando a todo vapor, como se o mundo todo estivesse necessitando muito de uma ajuda superior para enfrentar seus problemas. A religião e a fé estão em alta em todo o planeta.
Em um conceito teórico, religião pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças enquanto fé é definida como uma firme convicção de que algo seja verdade. Analisando seus conceitos, podemos concluir que religião e fé são duas coisas que se completam. Talvez essas explicações teóricas nos façam entender como um sentimento considerado ‘divino’ gera tantos conflitos, mortes e guerras pelo mundo.
Podemos elencar vários casos onde a religião foi fator preponderante para iniciar guerras, algumas ainda longe de seu término, dizimar nações e gerar conflitos entre pessoas. Exemplos claros como a guerra entre Israelenses e Palestinos que tem como um de seus principais motivos, além da disputa territorial, a disputa ideológica entre “judeus” e “muçulmanos”, os conflitos sangrentos no processo de separação da ex-Iugoslávia no início da década de 90 foram dados principalmente às diferenças entre ortodoxos, católicos e muçulmanos. Podem ser citados ainda, nesta interminável lista de “violência religiosa” os episódios da Irlanda do Norte, Timor Leste, Cashemira e Sudão.
Em uma realidade mais próxima, dentro de nosso país, vemos uma rivalidade de crenças aumentando, porém, por enquanto, bem menos violenta que as citadas acima: as provocações entre católicos e evangélicos. Após presenciarmos, há alguns anos atrás, a destruição de uma imagem de um santo católico protagonizada por um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus em rede nacional, vemos a interpretação de uma moça evangélica fanática e preconceituosa na novela Duas Caras, exibida pela Rede Globo. Em ambos os fatos, a repercussão foi muito grande, gerando muita polêmica e discussões entre a população. Notas publicadas pelas duas religiões mostram a indignação diante destes acontecimentos.
Mas afinal, porque religião gera tanta conflitos e discussões se teóricamente todas acreditam em um Deus?
A realidade é uma só, porém muito polêmica: cada uma das partes acredita que a verdade e a razão de todos os assuntos está do seu lado, não aceitando que, em um mundo tão grande como o nosso, possa existir grupos de pessoas com opiniões e ideais contrários. A tentativa de imposição de ideologias é o fator principal que gera toda essa realidade que visualizamos no mundo, contradizendo totalmente com seus próprios princípios e suas doutrinas.
Existe sim a possibilidade do ser humano viver harmonicamente que na verdade teria que ser um dever de cada um, a receita para isso é simples e não tão difícil de ser implantada. É necessário apenas algumas regras básicas, que nos são ensinadas desde pequenos por nossos pais e também pela religião: o bom senso, respeito, compreensão, ética, amor ao próximo são alguns desses ingredientes, mas que infelizmente poucas vezes são colocadas em prática.
Essa é a realidade... vamos “rezar” para ela se modificar?
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 22/04/2008