Atualmente, vivemos em uma sociedade marcada por conflitos, violência e fatos inacreditáveis, difíceis de serem explicados. Em virtude desses problemas, além de outros fatores significativos, uma grande onda religiosa cresce em todo o mundo, novas religiões surgem, novas doutrinas e novos ensinamentos estão se multiplicando a todo vapor, como se o mundo todo estivesse necessitando muito de uma ajuda superior para enfrentar seus problemas. A religião e a fé estão em alta em todo o planeta.Em um conceito teórico, religião pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças enquanto fé é definida como uma firme convicção de que algo seja verdade. Analisando seus conceitos, podemos concluir que religião e fé são duas coisas que se completam. Talvez essas explicações teóricas nos façam entender como um sentimento considerado ‘divino’ gera tantos conflitos, mortes e guerras pelo mundo.
Podemos elencar vários casos onde a religião foi fator preponderante para iniciar guerras, algumas ainda longe de seu término, dizimar nações e gerar conflitos entre pessoas. Exemplos claros como a guerra entre Israelenses e Palestinos que tem como um de seus principais motivos, além da disputa territorial, a disputa ideológica entre “judeus” e “muçulmanos”, os conflitos sangrentos no processo de separação da ex-Iugoslávia no início da década de 90 foram dados principalmente às diferenças entre ortodoxos, católicos e muçulmanos. Podem ser citados ainda, nesta interminável lista de “violência religiosa” os episódios da Irlanda do Norte, Timor Leste, Cashemira e Sudão.
Em uma realidade mais próxima, dentro de nosso país, vemos uma rivalidade de crenças aumentando, porém, por enquanto, bem menos violenta que as citadas acima: as provocações entre católicos e evangélicos. Após presenciarmos, há alguns anos atrás, a destruição de uma imagem de um santo católico protagonizada por um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus em rede nacional, vemos a interpretação de uma moça evangélica fanática e preconceituosa na novela Duas Caras, exibida pela Rede Globo. Em ambos os fatos, a repercussão foi muito grande, gerando muita polêmica e discussões entre a população. Notas publicadas pelas duas religiões mostram a indignação diante destes acontecimentos.
Mas afinal, porque religião gera tanta conflitos e discussões se teóricamente todas acreditam em um Deus?
A realidade é uma só, porém muito polêmica: cada uma das partes acredita que a verdade e a razão de todos os assuntos está do seu lado, não aceitando que, em um mundo tão grande como o nosso, possa existir grupos de pessoas com opiniões e ideais contrários. A tentativa de imposição de ideologias é o fator principal que gera toda essa realidade que visualizamos no mundo, contradizendo totalmente com seus próprios princípios e suas doutrinas.
Existe sim a possibilidade do ser humano viver harmonicamente que na verdade teria que ser um dever de cada um, a receita para isso é simples e não tão difícil de ser implantada. É necessário apenas algumas regras básicas, que nos são ensinadas desde pequenos por nossos pais e também pela religião: o bom senso, respeito, compreensão, ética, amor ao próximo são alguns desses ingredientes, mas que infelizmente poucas vezes são colocadas em prática.
Essa é a realidade... vamos “rezar” para ela se modificar?
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 22/04/2008
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