domingo, 3 de agosto de 2008

Trabalhador ou bobo da corte?

Na última quinta-feira, foi comemorado em vários países do mundo o Dia do Trabalho, de acordo com a história, esta data comemorativa foi criada em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, que era o principal centro industrial dos Estados Unidos na época. Na ocasião, milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre operários e a polícia. No Brasil, a primeira celebração da data de que se tem registro ocorreu em Santos, em 1895, por iniciativa do Centro Socialista, entidade fundada em 1889 por militantes políticos.
Passados mais de 120 anos do acontecimento, manifestações, confrontos e reivindicações envolvendo trabalhadores são comuns nos quatro cantos do mundo, reivindicando melhorias nas condições de trabalho, maiores salários, entre outros motivos.
No Brasil, há algum tempo, o grande desafio das manifestações trabalhistas gira em torno da redução da jornada de trabalho de 8 para 6 horas diárias. A proposta tem como principal intuito a criação de novos postos de trabalho e a diminuição do desemprego no país, tudo isso sem a redução no valor salarial. A reivindicação gera muitas discussões e divisões de opinião.
Primeiramente, a redução da jornada de trabalho seria uma grande vitória para os trabalhadores, pois estaria assim possibilitando a criação de novos empregos, diminuindo o número de desempregados no país, além, é claro, da maior valorização de sua mão de obra, pois com um salário-mínimo defasado como o do Brasil, o trabalhador muitas vezes “paga para trabalhar”.
Por outro lado, analisando pontos negativos, temos a dificuldade financeira com que os empresários poderiam enfrentar após essas mudanças, pois com a redução da jornada, os custos de produção se elevariam, acarretando em um aumento de preços no mercado, aumento da automatização da produção. Por conseqüência disso teríamos um efeito contrário às aspirações pregadas pelos sindicatos trabalhistas, talvez até piorando as condições de vida que encontramos atualmente.
A realidade brasileira, quanto aos trabalhadores é nítida aos olhos de qualquer pessoa: moramos em um país onde o salário-mínimo é um dos mais baixos do mundo, perdendo apenas para alguns países paupérrimos, desvalorizando totalmente o trabalhador, impossibilitando de proporcionar-lhe uma vida digna, suprindo suas necessidades básicas, além de uma previdência social quebrada e sem recursos. Em contradição a isso, observamos políticos, que “trabalham” uma vez por semana (quando vão uma vez por semana ao congresso) e ganham salários altíssimos, benefícios infindáveis, moradia e automóvel, sem contar os cartões corporativos.
E o que se pode fazer? É difícil responder a esse questionamento?
Claro que não, um absurdo como esses só se resolverá quando nossos “queridos” governantes e políticos brasileiros tomarem um remédio chamado ‘vergonha na cara’ e exercerem seus cargos de forma correta e transparente, lutando por interesses nacionais e realizando obras concretas de melhorias para toda a população. Talvez a questão trabalhista não se resolveria com a diminuição da jornada de trabalho, mas sim com salários mais dignos e projetos bem elaborados para distribuição de renda. Porém, enquanto a mentalidade política brasileira continuar apenas no “venha a nós”, questões como estas estão muito (mas muito mesmo) longe de serem resolvidas. Por enquanto continuaremos comemorando o dia do trabalho, com nossos salários mínimos vergonhosos e servindo de diversão aos marajás políticos do nosso país.


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 06/05/2008

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