Big Brother é um reality show que surgiu em 1999, na Holanda, idealizado pelo executivo John de Mol e se expandiu pelo mundo. O nome do programa, que, em inglês, significa Grande Irmão, foi influenciado por uma novela de mesmo título, em 1984, escrita por George Orwell, no qual o Big Brother é um líder que tudo vê e que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Apesar de ter seu surgimento na Holanda, foi no Brasil que o reality show teve o auge do sucesso. Após oito edições é incrível observar que o programa não se desgastou, contrariando lógicas e teses, e o mais impressionante disso tudo são os índices elevados de audiência, que somente perdem para as tão famosas “novelas das oito”.Há exatamente uma semana, o fenômeno de audiência da televisão brasileira, teve seu desfecho, contemplando o paulista Rafinha como o grande vencedor da oitava edição, levando como prêmio 1 milhão de reais. Um prêmio que, com certeza, muda a vida de quem tem a felicidade de conquistá-lo, porém se torna irrisório diante dos números e da lucratividade gerados pelo programa.
Podemos começar nossos cálculos com os cinco patrocinadores principais, que eram responsáveis por manter a casa, cada um desembolsou a quantia de R$ 10 milhões. Acrescenta-se a esses números as cotas de merchandising de outras marcas, que variavam entre R$ 700 mil a R$ 1 milhão, apenas para ter seus produtos à mostra dentro da casa. Gastos elevadíssimos para qualquer empresa, porém seu retorno de vendas foi muito maior, como o próprio empresário da Niely Cosméticos mencionou: “não sobrou produto nas prateleiras em 2007. enquanto existir BBB, vamos patrocinar”. Além disso, somam-se ainda as ligações telefônicas nos dias de ‘paredão’ que sempre passam de milhões, simplesmente uma fortuna.
Tudo não passa de uma jogada inteligentíssima de mercado da Rede Globo, que utiliza de sua força e audiência para lançar anualmente um programa que produz um lucro exorbitante com número de telespectadores quase impossíveis de serem alcançados por qualquer concorrente, tudo em apenas 3 meses de transmissão, agregado, é claro, à uma equipe competente de profissionais.
Para os participantes, a grande cartada seria a tentativa de uma melhora significativa de vida, além é claro de uma tentativa de elevar seus egos, podendo demonstrar suas individualidades e seus ‘talentos’, além de uma superexposição na imprensa, tendo seus minutinhos de fama que, em alguns casos, acaba se prolongando por um período de tempo maior.
Todos esses fatores são muito interessantes em uma visão mercadológica, publicitária e empresarial, mostrando a força e os resultados de um trabalho bem elaborado e bem executado, porém existem fortes fatores negativos em vários setores que conseguem tirar todo o brilho desse programa.
Os critérios de escolha dos participantes são muito parciais, onde fica claro que são selecionadas sempre pessoas que possuem uma classe social média-alta, boa aparência e que não possuem nenhum conteúdo aproveitável de interesses e inteligência. Para tentar mascarar um pouco essa realidade, os diretores do BBB, em todas as edições, abrem uma ou duas exceções, colocando pessoas menos privilegiadas nos critérios acima citados além dar a chance a uma pessoa da cor negra, para evitar questionamentos sobre preconceito, curiosamente essas pessoas nunca avançam muito no jogo. O programa consegue também ter um alto índice de vulgarização,priorizando e privilegiando as cenas com conteúdos impróprios.
A realidade do BBB é clara, se trata de um programa que visa somente o lucro e a audiência, sem se preocupar com o lado social, educacional e cultural. Muito pelo contrário, transmite apenas uma cultura totalmente inútil para os telespectadores. Uma mistura estranha, que foge da lógica, acabou dando certo em terras tupiniquins. E, com certeza, o ano que vem tem mais uma edição...
Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 01/04/2008
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