sábado, 29 de março de 2008

Escola de Tempo Integral: uma questão a ser discutida.



A Escola de Tempo Integral no Estado de São Paulo foi um projeto implantado pelo governo Geraldo Alckmin e pelo então Secretário da Educação Gabriel Chalita no ano de 2006. As maiores mudanças na rotina dos alunos foi a ampliação da jornada diária de aulas de 5 para 9 horas. O projeto da escola de tempo integral possui um conteúdo didático-pedagógico que visa atividades diferenciadas e uma melhor preparação do aluno para enfrentar o mercado de trabalho, além de ampliar seu leque de conhecimentos e melhorar seu aproveitamento em sala de aula.
Todo esse projeto, no papel, é muito bom, porém a realidade de sua execução não consegue corresponder ao contexto, devido a uma série de fatores relevantes que não foram levados em consideração no momento de sua implantação, após dois anos, já se podem notar claramente as falhas e conseqüências disso.
Em primeiro lugar, um projeto com essa amplitude e estrutura deveria ser estudado e avaliado durante muito tempo, analisando todos os fatores positivos e negativos, colocando na balança o que realmente é viável e quais adaptações deveriam ser efetuadas para o sucesso do mesmo.
As escolas estaduais não estão adequadas à essa nova realidade, sua estrutura física não comporta as necessidades de alunos que passam o dia todo dentro de um estabelecimento de ensino. Em quase sua totalidade, não possuem cozinhas e refeitórios com tamanhos adequados e condições de higiene necessárias, além de não existir banheiros e vestiários decentes, áreas onde o aluno pode descansar após o almoço, entre outras coisas.
Pode-se destacar também que a grande maioria dos educadores não está preparada para as necessidades do projeto da escola de tempo integral, pois tiveram que se adequar às novas normas e métodos de ensino sem contar com orientações técnicas e cursos preparatórios decentes.
O número de rejeição do projeto entre pais e alunos é muito grande, muitos desaprovam o novo método e o despreparo em todos os setores.
Em pesquisas realizadas recentemente foi constatado que o aproveitamento dos alunos de escola de tempo integral no SARESP, prova aplicada pelo governo para avaliar o rendimento do aluno e sua aprendizagem, não foi superior aos resultados de alunos de escolas com ensino comum.Após todas as explanações acima, fica uma dúvida no ar: será que o projeto de uma escola de tempo integral é viável? Se trata de um ótimo projeto, com objetivos muito bons, porém foi implantado de forma totalmente equivocada e antes do tempo. Mas acredito que o grande problema desta história toda foram os reais motivos de sua implantação. Com certeza, o senhor Geraldo Alckmin queria utilizar-se desse fator relevante para a educação estadual em sua campanha política, visando a Presidência da República, para assim tentar alavancar sua candidatura e derrotar seu grande concorrente, Lula. Infelizmente, para Alckmin, ”o tiro saiu pela culatra”, culminando com sua derrota nas eleições. Porém o grande prejudicado nessa história toda é a população paulista, que tem que conviver com um projeto educacional mal implantado e mal estruturado devido à interesses políticos... É, meus caros, isto não é ficção, é a mais pura realidade, isto é Brasil.




Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 25/03/2008

A Grande Família.


O assunto desta semana não é muito atual, na verdade aconteceu a exatas duas centenas de anos atrás, um fato que mudou a história de nosso país e principalmente do Rio de Janeiro: a vinda da família real portuguesa para sua colônia.
Na época a Europa estava vivendo o período Napoleônico, onde o imperador francês, Napoleão Bonaparte, ditava as regras, exilava ou matava reis e imperadores de países vizinhos. E a caçada de Napoleão tinha como próximo objetivo o trono português. Sabendo da situação, D. João resolveu, mais que depressa, que a corte portuguesa iria bater em retirada para sua maior colônia, o Brasil, e o fizeram.
Seria o príncipe regente um covarde, como todos os europeus tinham rotulado? Por deixar seu país às pressas com medo de Napoleão. Talvez... mas na realidade D. João foi muito inteligente, deve ter pensado: “saio do país para não correr riscos de vida, e, quando tudo acabar, volto ao poder como se nada tivesse acontecido”.
D. João era uma figura diferente das que todos têm idealizado em mente, quando se trata de um príncipe. Dono de manias singulares, o príncipe regente ficou famoso por não gostar de tomar banhos, e por sua aparência que não agradava aos padrões de beleza e por sua paixão por caçadas, além de ter uma família conturbada: sua mãe, a rainha Maria I, conhecida como “Maria Louca” era louca de fato e foi afastada do trono português devido a sua insanidade mental; sua esposa, a princesa Carlota Joaquina, seguia os passos da mãe e conspirava incessantemente contra o príncipe.
Após uma viagem talvez não muito confortável, o então príncipe regente D. João VI e sua família foram calorosamente recepcionados pela população carioca, que os receberam em tom de festa, talvez nem sabendo o real motivo de sua chegada. A corte portuguesa se deparou com uma realidade diferente da que estava acostumada na Europa, com um país totalmente sem desenvolvimento, sem comércio e sem um governo real.
O grande ponto positivo da vinda de D. João para o Brasil foram suas atitudes, a construção de vários bens para o Brasil, a abertura de um comércio de verdade no país, além de deixar encaminhado o processo de independência do país, fato que seria consolidado com seu filho, Pedro, anos mais tarde. Na realidade D. João VI foi uma figura interessante no contexto histórico brasileiro, com uma postura diferenciada dos padrões europeus, dono de atitudes e ações até certo ponto hilárias, marcou seu nome na história como ‘o covarde que correu de Napoleão’ mas também como o grande percussor do progresso e desenvolvimento de um país chamado Brasil.
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 18/03/2008

Um Circo chamado “América do Sul”.



FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) organização que tem inspiração comunista, criada em 1964, com ostentação militar do Partido Comunista Colombiano, possui entre 12 a 18 mil membros. Porém na realidade, o cunho e os ideais comunistas já não possuem tanta prioridade nesta organização, pois as FARC se tornaram conhecidas mundialmente por seus métodos e táticas terroristas e por possuir em seu domínio muitos reféns civis colombianos há alguns anos.
Nas últimas semanas essa organização foi destaque em todos os meios de comunicação do mundo além de conseguir tirar a tranqüilidade dos países sul-americanos.
Na sede de vingança e na esperança de conseguir eliminar um dos mais fortes comandantes das FARC, Álvaro Uribe, presidente da Colômbia,se precipitou, bombardeando sem dó um acampamento da organização. Seria até uma atitude normal (em se tratando das FARC), porém o acampamento se encontrava em território equatoriano, o que enfureceu o presidente Rafael Corrêa, que presenciou suas fronteiras sendo invadidas por um país vizinho sem autorização. Um grande erro provocado pelo governo colombiano, gerando uma situação incômoda, inconveniente e totalmente desrespeitosa às fronteiras e sobrania de uma nação.
A situação mais impressionante não tem a ver com os protagonistas do acontecimento, mas sim com o arrogante presidente venezuelano Hugo Chávez, que financia e apóia o “grupo terrorista colombiano” e, em seu pronunciamento, se colocou contra Uribe. Como se isso não fosse suficiente, George W. Bush, desafeto de Chávez, não perdeu a oportunidade e, em pronunciamento oficial, declarou que apoiará a Colômbia até as últimas conseqüências no caso.
A realidade é única, as FARC são uma ameaça dentro da América do Sul, principalmente para a Colômbia, porém Uribe está totalmente errado em atacar a organização em um país vizinho. Rafael Corrêa caiu de pára-quedas na história, além de ser quem tem mais razão para reclamar. Bush fez o que sempre está acostumado a fazer: se intrometer onde não é chamado. Já Chávez... Realmente, a cada dia se supera, tornando-se uma das pessoas mais ridículas e arrogantes de todo o mundo, daria até pra utilizar um jargão que ficou muito conhecido após o filme ‘Tropa de Elite’: “ele é um fanfarrão”.
Podemos comparar esse acontecimento a um grande “circo”, onde as FARC seria um leão que fugiu de seu domador – Álvaro Uribe – que por sua vez acabou invadindo a jaula do elefante – Rafael Corrêa, o deixando furioso. Quando o circo já estava quase pegando fogo, seu dono – Geroge Bush – apareceu e tentou colocar ordem, dando apoio ao domador de leões, porém, quem realmente quis ser o centro das atenções de toda história foi o palhaço Chávez, que tentou se passar por dono do circo, soltando o leão de sua jaula e causando toda a confusão. E nós, como platéia, esperamos pelo ‘grand finale’ que sempre termina feliz, e esse não poderia ser diferente, com um singelo aperto de mão entre os três presidentes a paz foi selada, como se nada tivesse acontecido. Faz-me rir América.




Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava, dia 11/03/2008

‘Adiós’ Fidel.


Herói de uma nação, vilão mundial, ou simplesmente um severo ditador socialista? Seria difícil, em uma pesquisa de opinião popular, definir precisamente o que mais se encaixa a Fidel Castro, correto é dizer que durante sua vida política conseguiu alguns seguidores e muitos inimigos, mas também conquistou o que poucos conseguem: o respeito de quase todos. No último dia 19, presenciamos sua renuncia após 49 anos de “reinado”, colocando um ponto final a um dos maiores períodos de ditadura da história contemporânea. Uma era se desfaz... Será?
Seguidor da doutrina marxista, Fidel liderou a Revolução Cubana (1958-1959) ao lado do argentino Ernesto “Che” Guevara, tornando-se conhecido mundialmente após o golpe de estado que derrubou o ditador Fulgêncio Batista e que instaurou o “comunismo castrista” em Cuba.
O sistema de governo de Fidel teve duas faces distintas, por um lado investiu em infra-estrutura nas áreas da saúde, educação e esportes e também tornou-se por algum tempo o maior produtor de açúcar do mundo, por outro fez com que a população tivesse uma sobrevida, com salários miseráveis e nenhum incentivo às atividades econômicas internas, além do controle de todos os meios de comunicação da Ilha, com formas de repreensão muito fortes.
Com o fortalecimento do socialismo na União Soviética, Cuba acabou se transformando em uma ameaça para o capitalismo e, principalmente, para os Estados Unidos, por ser o único país da América a adotar o sistema socialista. Como conseqüência, os americanos embargaram a “ilha de Fidel” rompendo suas relações. Porém a desintegração da URSS e a queda do Muro de Berlin, fizeram com que o potencial cubano e suas fontes de apoio externas enfraquecessem consideravelmente, mas Fidel manteve sua posição mundial, fazendo com que o país “parasse no tempo”, a produção canavieira caiu consideravelmente, e seus setores mais desenvolvidos (educação e saúde) ficaram defasados.
A renuncia do “comandante da ilha”, se deve única e exclusivamente à sua condição de saúde já bem agravada. Para muitos, o fato marca o começo de uma nova era, porém é bem provável que a realidade não seja assim tão revolucionária, pois seu irmão e sucessor, Raul Castro, é, acima de tudo, seguidor e combatente da Revolução Cubana e já declarou que as decisões do país passarão por conselhos e recomendações de Fidel. A realidade é clara, os “passos” da ilha continuarão influenciados pela voz de Fidel, agora de uma forma indireta.
O saldo após os 49 anos do governo Fidel Castro não foi favorável à Cuba, pois setores potenciais sócio-econômicos estão ultrapassados e enfraquecidos e o país vive em plena miséria. É visível a necessidade da abertura econômica e da reestruturação de todos os setores, entretanto é bem provável que mudanças de fato aconteçam apenas após a morte do líder cubano, da mesma forma que ocorreu com a China após a renuncia de Mão Tse-tung e com a União Soviética pós Leonid Brejnev.
O futuro de Cuba é incerto, as mudanças são necessidades evidentes e fundamentais e as atitudes do novo chefe de Estado são incógnitas. Todos esses ingredientes podem resultar em uma caminhada contínua à beira da miséria com uma população sofrendo calada. Outra possibilidade, menos provável, é a abertura econômica e a melhora nas condições do país. Mas também há possibilidade da indignação popular junto ao novo governo, podendo gerar consequentemente uma guerra civil. Talvez o mais correto seria dizer que Cuba pode, em pouco tempo, se tornar uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer momento.E quanto à renuncia de Fidel, o melhor a dizer seria: “Vá com Deus, e não volte ao poder... o mundo agradece.”



Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 04/03/2008