terça-feira, 15 de abril de 2008

Um país que clama por justiça.

Há pouco mais de 15 dias o país inteiro vive um momento de comoção devido ao caso Isabella Nardoni, um crime que chocou o Brasil inteiro, acontecido no dia 29 de março.
Após investigações sobre o fato, foram constatadas que haviam marcas de violência e asfixiamento no corpo da menina, comprovando o homicídio e que o motivo da morte não foi apenas sua queda do sexto andar do prédio onde residem os dois principais suspeitos do crime, seu pai e sua esposa, madrasta da menina.
Crimes desse tipo geram uma grande indignação quanto à justiça de nosso país e nos fazem lembrar vários outros casos de homicídio contra crianças, como o caso João Hélio no Rio de Janeiro, que fora arrastado por um carro com bandidos em alta velocidade em fevereiro de 2007 e o caso Yves Ota, em 1997, seqüestrado por funcionários de seu pai e assassinado após ter reconhecido um dos bandidos.
Várias dúvidas e questionamento ainda pairam sobre o caso Isabella e muitos outros casos. Se comprovada a culpa do pai e da madrasta no caso, fica a dúvida, como um pai pode tirar a vida de seu próprio filho? Como uma pessoa em sã consciência tem a coragem de assassinar uma criança? Até que ponto vai a frieza de uma pessoa que comete uma barbárie dessa grandeza? O que se passa na mente de um assassino ao cometer crimes contra pessoas inocentes e indefesas e sem motivos reais?
Sinceramente existem coisas que se passam no cérebro humano que nem a lógica consegue explicar, talvez um distúrbio psicológico ou uma doença grave sejam alguns fatores apontados como explicação, porém existem casos que não se trata disso, mas sim a mais pura e total falta de caráter, sentimento e decência, acrescentando-se a isso uma dose grande de crueldade. Na realidade pessoas como estas, que tiram a vida de inocentes e criam feridas incuráveis e sofrimento em suas famílias, perdem totalmente o direito de serem tratados como seres humanos.
Analisando vários casos como este, percebe-se que o grande problema são as leis que regem nosso país, uma constituição ultrapassada, com vários pontos falhos, um código penal que dá todas as regalias e favorecimentos aos infratores, principalmente nos casos de crimes hediondos, onde a pena máxima que uma pessoa pode pegar não passa de 30 anos. Sem contar ainda a liberdade condicional, concedida após o cumprimento de metade da pena aos presos de boa conduta. Todos esses benefícios contribuem consideravelmente para a evolução e aumento da criminalidade no Brasil.
O sistema judiciário do Brasil está doente, necessita de reformas, uma possibilidade de solução seria a revisão de todo o código penal e da constituição nacional, tratando crimes com mais seriedade e mais severidade por parte das autoridades competentes. Dando assim mais segurança e punindo devidamente os atos criminais de forma mais coerente e mais justa. Talvez, medidas como estas não surtem efeitos tão imediatos, mas é uma saída que pode ser considerada para amenizar a criminalidade do país.
É fato que essa medida está longe de acontecer, enquanto isso todos os cidadãos brasileiros esperam que a justiça seja feita, não só em casos com maiores repercussões, como o da menina Isabella, mas também em todos os outros. Justiça é a palavra da vez e deve ser cumprida.


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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 15/04/2008

sábado, 12 de abril de 2008

Evolução da Classe C no Brasil: o combustível do crescimento.

Pesquisas recentes realizadas apontaram que o Brasil teve um alto índice de crescimento na Classe C, em dois anos, mais de 20 milhões de brasileiros saíram da pobreza e emergiram para a classe média. Hoje, esta fatia da população representa mais de 86 milhões de pessoas, ou 46%, o que a torna a classe com mais numerosa do país.
É interessante traçar um paralelo entre este acontecimento e a realidade de alguns países, pois muitos deles, principalmente europeus, que se encontram em um patamar desenvolvido hoje, deram seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento através da ascensão política e econômica da classe média.
Pode-se notar que o poder de consumo do brasileiro aumentou consideravelmente, a estabilização econômica e o nível de crescimento fez com que os créditos a longo prazo fossem largamente estendidos a uma parte da população que há tempos atrás nem sonhava com essa possibilidade. É interessante notar também que a elevação do poder aquisitivo do brasileiro fez com que o comércio e a indústria entrassem em um período de melhoras, aquecendo ainda mais a economia. Dados mostram que, mesmo com a crise financeira norte-americana, o Brasil deverá fechar o ano de 2008 com uma taxa de crescimento econômico em elevação. Uma boa notícia para todos nós, mostrando que a dependência com o país do “Tio Sam” já não é tão forte quanto em tempos passados. É importante citar ainda que o crescimento econômico brasileiro não se compara a países como China e Índia, porém pode ser considerado relevante se analisarmos o longo período de estagnação econômica que nosso país passou devido aos altos valores devidos ao FMI e Bird, a chamada dívida externa.
É evidente que essa melhora na situação do país teve seu marco inicial com a implantação do plano real em 1994. Fica claro que após a implantação da moeda, que até hoje vigora em nossa nação, houve uma estabilização econômica e uma diminuição extraordinária da inflação, que antes chegava a índices inacreditáveis de mais de 35% ao dia. É fato também que, pela primeira vez na história, o Brasil teve um declínio considerável em sua classe de miseráveis, isso se deve muito aos projetos sociais implantados pelo governo Lula, tais como o Bolsa Família, que auxilia muitos lares carentes.
Acredito que um ponto importante para esse novo período econômico foi a quitação da dívida externa, isso fez com que o país adquirisse autonomia, diferente de tempos atrás, onde o Brasil não passava de um fantoche na mão dos credores internacionais. É necessário apenas a implantação de um projeto de crescimento conciso e bem elaborado, afinal, potencial e condições para isso não faltam. Deve-se aproveitar o momento e investir no crescimento do país, não deixando acontecer como na década de 70, com o ‘milagre econômico’, que foi uma coisa passageira.
Quero deixar bem claro que não estou aqui fazendo apologias ao governo Lula, que possui muitos problemas e falhas, mas sim demonstrando uma realidade que está acontecendo no país. É claro que a situação ainda está longe do ideal, porém há certa esperança de melhorias, talvez isso seja um presságio de um período de desenvolvimento, mas também há uma possibilidade de ser apenas mais um verão de ‘vacas gordas’ que logo irá terminar... É esperar para ver.
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Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 08/04/2008

Big Brother Brasil: uma receita que foge da lógica.

Big Brother é um reality show que surgiu em 1999, na Holanda, idealizado pelo executivo John de Mol e se expandiu pelo mundo. O nome do programa, que, em inglês, significa Grande Irmão, foi influenciado por uma novela de mesmo título, em 1984, escrita por George Orwell, no qual o Big Brother é um líder que tudo vê e que governa o mundo ocidental em um futuro fictício. Apesar de ter seu surgimento na Holanda, foi no Brasil que o reality show teve o auge do sucesso. Após oito edições é incrível observar que o programa não se desgastou, contrariando lógicas e teses, e o mais impressionante disso tudo são os índices elevados de audiência, que somente perdem para as tão famosas “novelas das oito”.
Há exatamente uma semana, o fenômeno de audiência da televisão brasileira, teve seu desfecho, contemplando o paulista Rafinha como o grande vencedor da oitava edição, levando como prêmio 1 milhão de reais. Um prêmio que, com certeza, muda a vida de quem tem a felicidade de conquistá-lo, porém se torna irrisório diante dos números e da lucratividade gerados pelo programa.
Podemos começar nossos cálculos com os cinco patrocinadores principais, que eram responsáveis por manter a casa, cada um desembolsou a quantia de R$ 10 milhões. Acrescenta-se a esses números as cotas de merchandising de outras marcas, que variavam entre R$ 700 mil a R$ 1 milhão, apenas para ter seus produtos à mostra dentro da casa. Gastos elevadíssimos para qualquer empresa, porém seu retorno de vendas foi muito maior, como o próprio empresário da Niely Cosméticos mencionou: “não sobrou produto nas prateleiras em 2007. enquanto existir BBB, vamos patrocinar”. Além disso, somam-se ainda as ligações telefônicas nos dias de ‘paredão’ que sempre passam de milhões, simplesmente uma fortuna.
Tudo não passa de uma jogada inteligentíssima de mercado da Rede Globo, que utiliza de sua força e audiência para lançar anualmente um programa que produz um lucro exorbitante com número de telespectadores quase impossíveis de serem alcançados por qualquer concorrente, tudo em apenas 3 meses de transmissão, agregado, é claro, à uma equipe competente de profissionais.
Para os participantes, a grande cartada seria a tentativa de uma melhora significativa de vida, além é claro de uma tentativa de elevar seus egos, podendo demonstrar suas individualidades e seus ‘talentos’, além de uma superexposição na imprensa, tendo seus minutinhos de fama que, em alguns casos, acaba se prolongando por um período de tempo maior.
Todos esses fatores são muito interessantes em uma visão mercadológica, publicitária e empresarial, mostrando a força e os resultados de um trabalho bem elaborado e bem executado, porém existem fortes fatores negativos em vários setores que conseguem tirar todo o brilho desse programa.
Os critérios de escolha dos participantes são muito parciais, onde fica claro que são selecionadas sempre pessoas que possuem uma classe social média-alta, boa aparência e que não possuem nenhum conteúdo aproveitável de interesses e inteligência. Para tentar mascarar um pouco essa realidade, os diretores do BBB, em todas as edições, abrem uma ou duas exceções, colocando pessoas menos privilegiadas nos critérios acima citados além dar a chance a uma pessoa da cor negra, para evitar questionamentos sobre preconceito, curiosamente essas pessoas nunca avançam muito no jogo. O programa consegue também ter um alto índice de vulgarização,priorizando e privilegiando as cenas com conteúdos impróprios.
A realidade do BBB é clara, se trata de um programa que visa somente o lucro e a audiência, sem se preocupar com o lado social, educacional e cultural. Muito pelo contrário, transmite apenas uma cultura totalmente inútil para os telespectadores. Uma mistura estranha, que foge da lógica, acabou dando certo em terras tupiniquins. E, com certeza, o ano que vem tem mais uma edição...



Texto publicado no Jornal Acontece Ava - Coluna Opinião Formada - da cidade de Avanhandava no dia 01/04/2008